Juventus 2026/27: reconstrução, respostas rápidas e o desafio de voltar ao topo da Itália
A Juventus chegou à temporada 2026/27 carregando uma cobrança diferente. Depois de terminar a campanha anterior apenas em sexto lugar e ficar fora da Champions League, o clube iniciou um novo ciclo com Luciano Spalletti, uma participação na Europa League e a missão de recuperar espaço entre as principais forças da Serie A. Até 30 de setembro, o início mostra uma equipe capaz de produzir futebol convincente, mas ainda em processo de consolidação.
O ponto de partida: uma Juventus que precisava reagir
Spalletti assumiu a preparação com uma ideia clara: a Juventus não poderia se contentar em sobreviver aos jogos. O treinador falou sobre a necessidade de melhorar aspectos que impediram a equipe de atingir seus objetivos na temporada anterior e colocou como meta imediata a disputa por uma vaga na Champions League, embora tenha reconhecido que o título italiano ainda exigia uma evolução importante.
O começo oficial foi positivo. Pela Serie A, a Juventus venceu o Frosinone por 1 a 0 fora de casa, superou o Parma por 2 a 0 em Turim, empatou em 1 a 1 com o Milan, perdeu por 3 a 2 para o Sassuolo e reagiu com um 2 a 0 sobre a Atalanta. São três vitórias, um empate e uma derrota em cinco rodadas, campanha de dez pontos.
A sequência revela duas características. A primeira é que a Juventus consegue competir defensivamente: sofreu quatro gols em cinco partidas de campeonato. A segunda é que a produção ofensiva ainda oscila. Foram oito gols, número que ajuda a explicar por que alguns jogos ficaram mais apertados do que poderiam.
Os jogos da Serie A: evolução com alguns sinais de alerta
A vitória sobre o Frosinone foi típica de uma estreia em que o resultado pesa mais do que o brilho. A Juventus venceu por 1 a 0 e começou o campeonato somando três pontos fora de casa.
Na rodada seguinte, diante do Parma, a equipe cresceu no segundo tempo e venceu por 2 a 0, com Nico González e Teun Koopmeiners decidindo a partida. Foi uma demonstração importante de paciência, já que o time conseguiu aumentar a intensidade depois do intervalo e controlar melhor o confronto.
O empate com o Milan foi um dos primeiros testes relevantes. A Juventus teve momentos de superioridade e criou situações para marcar, mas precisou de um gol tardio de Federico Gatti para evitar a derrota. O 1 a 1 deixou a sensação de que a equipe já tinha capacidade para competir com um adversário de alto nível, mas ainda precisava transformar domínio territorial e oportunidades em vantagem no placar.
Contra o Sassuolo apareceu o principal alerta do início da campanha. A Juventus sofreu três gols e perdeu por 3 a 2, mesmo tendo buscado duas vezes o empate com Edon Zhegrova. O gol da derrota veio no último lance. Mais do que o resultado, a partida expôs uma equipe que, quando o jogo ficou aberto, permitiu que o adversário encontrasse espaços.
A resposta contra a Atalanta foi importante. No Allianz Stadium, a Juventus venceu por 2 a 0 com gols de Francisco Conceição e Gleison Bremer. O time começou pressionando, controlou boa parte da partida e mostrou maior capacidade para administrar a vantagem.
Spalletti, entretanto, avaliou que a equipe ainda poderia ter criado mais problemas para a Atalanta, especialmente quando encontrou espaços. Essa observação é importante porque resume uma questão que acompanha a Juventus neste começo: existe organização e competitividade, mas ainda há margem para aumentar a eficiência ofensiva.
A Europa League começa com uma demonstração de força
A competição continental representa uma mudança de cenário para a Juventus. Em vez da Champions League, o clube disputa a Europa League após a sexta colocação na Serie A anterior. Isso reduz o prestígio associado à principal competição europeia, mas também cria uma oportunidade esportiva para construir uma campanha internacional relevante.
A estreia foi contundente: 5 a 0 sobre o NEC Nijmegen. O mais interessante foi a distribuição dos gols: Nico González, Kerim Alajbegovic, Nick Woltemade, Zeki Çelik e Randal Kolo Muani marcaram.
A variedade é relevante porque mostra que o time não depende exclusivamente de um único atacante para produzir. O jogo também apresentou sinais da nova estrutura do elenco. Grabara participou diretamente do primeiro gol com um lançamento, Alajbegovic mostrou capacidade de atacar espaços, Woltemade marcou de pênalti, Çelik apareceu na área e Kolo Muani fechou o placar.
Não é possível transformar uma única partida em diagnóstico definitivo, especialmente diante de um adversário que não está no mesmo patamar competitivo da Juventus. Ainda assim, o 5 a 0 ofereceu uma demonstração clara da capacidade ofensiva que o elenco pode apresentar quando consegue controlar o jogo desde os primeiros minutos.
O mercado: juventude, experiência e correção de rota
A montagem do elenco foi um dos capítulos mais importantes do verão. A Juventus contratou Zeki Çelik, Jhon Lucumí, Kerim Alajbegovic, Pape Matar Sarr, Kamil Grabara e Nick Woltemade, além de transformar Randal Kolo Muani em jogador do clube.
Lucumí acrescenta experiência e força à defesa. Çelik oferece versatilidade e conhecimento da Serie A. Sarr chega para dar intensidade, capacidade física e dinâmica ao meio-campo. Alajbegovic representa uma aposta de longo prazo, enquanto Woltemade amplia as alternativas ofensivas.
Kolo Muani é particularmente importante porque já conhece o ambiente do clube. A Juventus decidiu adquirir definitivamente o atacante depois de sua passagem anterior, na qual marcou dez gols em 22 partidas. Sua mobilidade oferece a Spalletti uma característica interessante: um atacante capaz de sair da referência, atacar a profundidade e participar da construção.
A situação dos goleiros também merece atenção especial. Di Gregorio foi emprestado ao Bournemouth, enquanto Grabara chegou para disputar espaço com Guglielmo Vicario. Porém, Grabara sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior e ficará fora durante toda a temporada.
A Juventus precisou agir novamente e, em 28 de setembro, anunciou o retorno de Neto. Aos 37 anos, o brasileiro volta ao clube para acrescentar experiência ao setor em um momento de emergência.
No ataque, a transformação também foi significativa. Jonathan David foi emprestado ao Atlético de Madrid para a temporada 2026/27. Loïs Openda foi cedido ao Lyon. Essas saídas abriram espaço para outras soluções, mas também reduziram a quantidade de atacantes disponíveis em determinados momentos.
No meio e nas laterais, a Juventus também movimentou peças. Fabio Miretti foi emprestado ao Besiktas, João Mário foi cedido à Fiorentina e Adzic seguiu para o Sassuolo. A estratégia mostra um clube tentando equilibrar elenco principal, desenvolvimento de jovens e necessidades financeiras.
As peças que podem definir o projeto
Kolo Muani é uma das peças centrais. Sua mobilidade oferece uma característica importante para Spalletti: um atacante capaz de sair da referência, atacar profundidade e participar da construção. Contra a Atalanta, ele criou uma oportunidade logo no início e ainda salvou uma bola em cima da linha.
Nico González também começou a ganhar protagonismo. Marcou contra o Parma e contra o NEC, além de participar de várias ações ofensivas. Francisco Conceição continua sendo uma fonte de velocidade e drible, enquanto Zhegrova mostrou impacto imediato contra o Sassuolo e voltou a participar de ações decisivas.
Na defesa, Bremer voltou a aparecer como referência. O gol contra a Atalanta simbolizou também uma contribuição ofensiva importante em bolas paradas. Lucumí, Kalulu, Gatti e Kelly ampliam as opções, enquanto Çelik ganhou destaque ao participar de gols e oferecer soluções pelos lados.
No meio-campo, a temporada pode depender da capacidade de Spalletti de combinar jogadores de características diferentes. Locatelli oferece controle e liderança; Koopmeiners busca recuperar influência; McKennie pode aparecer em várias funções; e Sarr acrescenta intensidade. Douglas Luiz também permanece como alternativa técnica para aumentar a qualidade da circulação.
O que esperar até o fim da temporada
O primeiro objetivo declarado é voltar à Champions League. A campanha até 29 de setembro coloca a Juventus em uma posição competitiva, mas ainda muito cedo para conclusões definitivas. Dez pontos em cinco rodadas representam um início consistente, porém a equipe terá de transformar empates e derrotas apertadas em vitórias se quiser permanecer próxima do topo.
A Europa League acrescenta outra frente. Depois do 5 a 0 sobre o NEC, a Juventus mostrou que pode tratar a competição com seriedade. Um percurso longo exigirá rotação, especialmente porque a Serie A terá confrontos mais exigentes e a Coppa Italia também entrará no calendário.
O grande desafio de Spalletti será transformar uma equipe em reconstrução em um time consistente. A Juventus já mostrou capacidade de controlar jogos, pressionar, atacar pelos lados e criar diferentes caminhos para marcar. O que ainda precisa amadurecer é a regularidade durante 90 minutos, principalmente quando enfrenta adversários que conseguem acelerar a partida.
Até aqui, portanto, a temporada não oferece uma resposta definitiva sobre onde a Juventus terminará. O que existe é um quadro interessante: uma equipe que começou com resultados positivos, sofreu um tropeço preocupante, respondeu bem e conta com reforços capazes de mudar sua dinâmica.
O caminho para recuperar o protagonismo italiano passa por transformar esses sinais em constância. Para isso, Spalletti precisará encontrar o equilíbrio entre experiência e juventude, manter a solidez defensiva e conseguir uma produção ofensiva mais regular.
A Juventus de 2026/27 ainda está sendo construída. E, até 30 de setembro, a principal expectativa é justamente observar se a combinação entre Spalletti, novos reforços, jogadores recuperando espaço e uma defesa mais estável será suficiente para recolocar a equipe na disputa pelos objetivos que o clube considera compatíveis com sua dimensão.
