MILAN MOSTRA CONSISTÊNCIA, MAS AINDA PRECISA CONVENCER: UMA ANÁLISE DA TEMPORADA 2026/27
Os rossoneri seguem invictos na Serie A, mas os empates recentes e a derrota na Liga Europa mostram que o trabalho de Rúben Amorim ainda está em construção.
Um início promissor, com sinais de alerta
O Milan chega a 13 de outubro de 2026 com motivos para demonstrar otimismo, mas também com questões importantes a resolver. Depois de seis rodadas do Campeonato Italiano, a equipe comandada por Rúben Amorim permanece invicta, somando três vitórias e três empates. São 12 pontos conquistados, uma campanha que mantém o clube na disputa pelas primeiras posições e oferece uma base positiva para a continuidade da temporada.
Entretanto, os números não contam toda a história. Embora o time tenha demonstrado capacidade para competir contra adversários importantes, algumas partidas revelaram dificuldades para administrar vantagens e transformar períodos de superioridade em vitórias. A igualdade diante do Sassuolo, na rodada mais recente, resumiu parte dessas preocupações: o Milan saiu na frente, mas permitiu o empate poucos minutos depois.
A temporada ainda está em sua fase inicial, e seria precipitado estabelecer conclusões definitivas. Mesmo assim, o desempenho apresentado até aqui permite identificar tendências, avaliar o trabalho do treinador e compreender quais aspectos podem determinar o sucesso dos rossoneri nos próximos meses.
A campanha na Serie A: invencibilidade que precisa virar ambição
O Milan começou sua trajetória no campeonato com uma vitória por 2 a 1 sobre o Torino, fora de casa. Na sequência, venceu o Venezia por 2 a 0, diante de sua torcida. Os resultados deram confiança ao elenco e indicaram que a equipe poderia construir uma campanha competitiva desde as primeiras rodadas.
O cenário ficou mais exigente nos compromissos seguintes. Contra a Juventus, em Turim, o Milan empatou por 1 a 1. Depois, diante da Lazio, em Roma, protagonizou uma reação importante para buscar o empate por 2 a 2, após estar perdendo por dois gols de diferença.
A equipe voltou a vencer na quinta rodada, quando superou o Lecce por 3 a 0. Foi uma das atuações mais convincentes do Milan até aqui, tanto pelo resultado quanto pela capacidade de produzir gols e controlar boa parte da partida.
No dia 11 de outubro, porém, veio mais um empate: 1 a 1 com o Sassuolo. Adrien Rabiot abriu o placar aos 18 minutos do segundo tempo, com assistência de Luka Modrić, mas Cas Odenthal igualou cinco minutos depois. O Milan teve oportunidades para construir uma vantagem maior, porém não conseguiu transformar sua superioridade em três pontos.
O balanço de seis partidas é positivo: três vitórias, três empates e nenhuma derrota. Ainda assim, existe uma diferença entre permanecer invicto e apresentar um futebol capaz de sustentar uma candidatura ao título. Para alcançar esse objetivo, o Milan precisará ser mais eficiente diante de equipes que conseguem resistir à sua pressão.
Rúben Amorim e a busca pelo equilíbrio tático
Uma das principais histórias desta temporada é a tentativa de Rúben Amorim de construir uma identidade própria no Milan. Conhecido por utilizar sistemas com três defensores em diferentes momentos de sua carreira, o treinador tem demonstrado disposição para modificar a estrutura da equipe conforme as características dos jogadores e as necessidades de cada confronto.
Essa flexibilidade é especialmente importante em um clube com a dimensão do Milan. A equipe precisa saber propor o jogo, pressionar a saída adversária e ocupar o campo ofensivo, mas também deve conseguir defender espaços e responder quando o adversário acelera as transições.
Antes da vitória sobre o Lecce, Amorim reconheceu que a equipe precisava de mais liberdade de movimentação. A mudança de abordagem ajudou os jogadores a encontrar espaços e a desenvolver uma atuação mais convincente. O treinador também deixou claro que não pretende ficar preso a um único modelo de jogo.
Essa postura pode ser decisiva. Um sistema tático não deve funcionar como uma fórmula imutável, mas como uma ferramenta para potencializar os jogadores disponíveis. A alternância entre uma linha defensiva com três integrantes e uma estrutura com quatro defensores pode oferecer soluções, desde que os atletas compreendam suas funções e mantenham a organização coletiva.
O desafio, contudo, é transformar essa flexibilidade em consistência. Mudar a formação não basta se a equipe continuar apresentando dificuldades para proteger vantagens ou controlar o ritmo depois de marcar. O Milan precisa desenvolver mecanismos claros para cada fase da partida, evitando que a liberdade ofensiva comprometa o equilíbrio defensivo.
O meio-campo oferece qualidade e experiência
O setor central reúne elementos capazes de elevar o nível competitivo da equipe. Luka Modrić acrescenta experiência, visão de jogo e qualidade na distribuição dos passes, enquanto Adrien Rabiot oferece força física, capacidade de chegada à área e participação nas duas fases do jogo.
A importância dessa combinação ficou evidente diante do Sassuolo. Modrić entrou no segundo tempo e participou diretamente do gol de Rabiot, que finalizou com precisão para colocar o Milan em vantagem. A jogada mostrou como a leitura de jogo do croata pode fazer diferença mesmo quando ele não começa entre os titulares.
Rabiot, por sua vez, vem se destacando pela contribuição ofensiva. O gol contra o Sassuolo foi seu terceiro na Serie A nesta temporada, acompanhado por duas assistências, segundo os dados divulgados pelo próprio Milan após a partida.
O francês representa uma alternativa importante para uma equipe que precisa encontrar gols além de seus atacantes. Sua capacidade de aparecer em zonas avançadas pode criar dificuldades para as defesas adversárias, sobretudo quando os jogadores de frente atraem a marcação.
Entretanto, o meio-campo precisa oferecer mais do que qualidade individual. A distância entre os setores, a velocidade da circulação da bola e a proteção oferecida à defesa serão fundamentais para que o Milan mantenha o controle das partidas. Quando a equipe perde intensidade ou permite que o adversário avance com facilidade, até jogadores experientes podem ter dificuldades para reorganizar o conjunto.
O ataque ainda precisa aproveitar melhor as oportunidades
A produção ofensiva é um dos aspectos mais interessantes da campanha. O Milan marcou gols nas seis partidas da Serie A disputadas até 13 de outubro, demonstrando capacidade para encontrar so.luções em diferentes confrontos. A vitória por 3 a 0 sobre o Lecce foi o exemplo mais expressivo dessa eficiência.
Christian Pulisic oferece movimentação e capacidade de atacar os espaços, enquanto Diego Moreira demonstrou que pode ser uma alternativa valiosa pelos lados do campo. Contra a Lazio, o belga marcou duas vezes depois de entrar no intervalo, contribuindo decisivamente para a reação que terminou em 2 a 2.
Gonçalo Ramos, por outro lado, representa uma peça importante para o funcionamento do ataque. O centroavante precisa receber um volume adequado de passes em condições favoráveis, com cruzamentos, infiltrações e combinações próximas da área. Não basta exigir gols de um jogador de referência se a equipe não consegue criar oportunidades com regularidade.
O próprio Amorim reconheceu, antes do encontro com o Sassuolo, que o Milan precisava criar mais chances e passar mais tempo dentro da área adversária. Essa observação é relevante porque demonstra que o treinador não pretende avaliar o ataque apenas pelo número de gols marcados.
A questão central é a eficiência coletiva. O Milan precisa transformar sua presença ofensiva em oportunidades claras e, quando abrir o placar, continuar buscando o segundo gol. A tendência de recuar ou diminuir a agressividade depois de assumir a liderança pode permitir que adversários permaneçam vivos na partida.
A defesa e a administração das vantagens
A invencibilidade na Serie A indica que o Milan tem conseguido evitar derrotas, mas alguns resultados mostram que a organização defensiva ainda precisa evoluir.
O empate com a Lazio é um exemplo importante. A equipe sofreu dois gols na primeira etapa e precisou reagir depois do intervalo. As substituições contribuíram para mudar o comportamento ofensivo, mas o resultado também evidenciou os riscos de permitir que o adversário construa uma vantagem expressiva.
Contra o Sassuolo, o problema foi diferente. O Milan abriu o placar aos 63 minutos e sofreu o empate aos 68. A proximidade entre os dois gols demonstra como a equipe ainda precisa administrar melhor os momentos posteriores a uma vantagem.
Depois de marcar, não é necessário abandonar o ataque nem transformar a partida em uma sequência de ações defensivas. O mais importante é manter a concentração, reduzir os espaços entre os setores e escolher os momentos certos para pressionar ou controlar a posse.
Mike Maignan também tem papel fundamental nesse processo. Além das intervenções que podem salvar resultados, o goleiro contribui para a construção das jogadas e para a organização da última linha. Uma defesa consistente depende, porém, da participação de todo o time, e não apenas de seu goleiro ou dos zagueiros.
Liga Europa: um tropeço que aumenta a pressão
Se o campeonato nacional oferece motivos para otimismo, a campanha europeia começou de maneira menos favorável. Em 16 de setembro, o Milan perdeu em casa por 2 a 0 para o Benfica, resultado que deixou a equipe sem pontos na primeira partida disputada na fase de liga da Liga Europa.
A derrota não determina o destino do clube na competição, mas aumenta a importância dos próximos compromissos. Em um calendário que exige viagens, recuperação física e preparação para adversários com estilos diferentes, a equipe precisará demonstrar capacidade de adaptação.
O próximo desafio europeu está marcado para 15 de outubro, contra o Red Bull Salzburg, na Áustria. Será uma oportunidade de responder ao resultado negativo e demonstrar que a evolução observada em alguns jogos do campeonato também pode aparecer no cenário continental. <escape>[6]</escape>
A gestão do elenco terá papel importante. Modrić, Rabiot, Pulisic e outros jogadores com participação relevante precisam ser utilizados de maneira inteligente, especialmente em uma sequência de partidas próximas. Ao mesmo tempo, atletas que recebem menos minutos terão oportunidades para demonstrar que podem contribuir sem comprometer o padrão coletivo.
Os próximos desafios podem definir o ritmo da temporada
O calendário imediatamente à frente do Milan oferece testes relevantes. Depois da viagem para enfrentar o Salzburg, a equipe terá pela frente o Bournemouth, pela Liga Europa, e a Atalanta, pela Serie A, no dia 18 de outubro. Também estão previstos compromissos contra Udinese, Bologna e Inter ao longo do restante do mês.
Essas partidas permitirão avaliar se a equipe consegue sustentar seu desempenho quando a exigência física e tática aumenta. Enfrentar adversários com diferentes propostas de jogo também ajudará Amorim a identificar quais estruturas funcionam melhor e quais ajustes precisam ser permanentes.
O clássico contra a Inter merece atenção especial. Além da rivalidade histórica, encontros desse tipo costumam exigir concentração, capacidade de adaptação e eficiência nos momentos decisivos. Chegar a esse compromisso com uma sequência de bons resultados pode fortalecer a confiança do grupo.
Por outro lado, perder pontos em série ou repetir erros defensivos pode aumentar a pressão sobre o treinador. A margem para evolução existe, mas o Milan precisa mostrar progresso concreto, sobretudo na criação de oportunidades e na proteção das vantagens construídas.
Veredito: o Milan está no caminho certo, mas ainda não está pronto
A análise da temporada até 13 de outubro aponta para um Milan competitivo, invicto na Serie A e com recursos técnicos suficientes para disputar posições importantes. As três vitórias demonstram capacidade ofensiva, enquanto os empates contra Juventus, Lazio e Sassuolo revelam que o time consegue resistir a diferentes situações, embora ainda não controle todos os jogos da maneira desejada.
O trabalho de Rúben Amorim apresenta sinais de evolução, principalmente na busca por flexibilidade tática e maior liberdade para os jogadores. A contribuição de Modrić e Rabiot, a movimentação de Pulisic e a possibilidade de aproveitar alternativas como Moreira oferecem caminhos para o crescimento coletivo.
Ainda assim, a derrota para o Benfica e os pontos perdidos no campeonato impedem uma avaliação inteiramente positiva. O Milan precisa ser mais consistente, aproveitar melhor as oportunidades e evitar que vantagens desapareçam em poucos minutos.
A invencibilidade é um bom começo, mas não deve esconder os problemas que permanecem. Para transformar potencial em resultados duradouros, o time precisará combinar criatividade ofensiva, disciplina defensiva e regularidade competitiva.
A temporada está longe de ser decidida. O Milan tem condições de crescer, mas as próximas semanas serão importantes para mostrar se o projeto de Amorim pode evoluir de uma equipe promissora para um verdadeiro candidato aos principais objetivos do clube.
Conclusão: o Milan começou a temporada com uma base competitiva e sinais positivos de evolução. O próximo passo é converter a invencibilidade em uma sequência mais convincente de vitórias e demonstrar que a equipe consegue competir em alto nível tanto na Itália quanto na Europa.
